Às 19 horas do dia 24 de Abril de 1974, Diniz de Almeida marcou uma reunião no então Café Nicola com Joaquim de Sousa e Mário Ribeiro, depois juntaram-se José Baldaia e Luciano Paulo (que foram esperar as tropas vindas de Aveiro e Viseu). João Russo, habituado a produzir e distribuir comunicados contra o regime, foi para Montemor-o-Velho “para ver se a GNR estava alerta”.
Nessa noite, Diniz de Almeida, que passou de forma rápida por uma festa de anos, seguiu para o R.A.P. 3. No quartel, o sentinela foi desarmado. O capitão Almeida Pereira foi chamar os soldados às casernas, Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da unidade, atónito com a situação, era detido na área da messe dos oficiais. Ao lado estava o furriel Jorge Dias, que também fotografou estes momentos. O armeiro estava renitente e não queria fornecer armamento, mas uma berliet, rebentou a porta do depósito de armas e munições.
As tropas do C.I.C.A. 2 (outra unidade militar da cidade) chegaram ao R.A.P. 3 pelas 6 horas. A coluna foi rapidamente formada. Pelas 7 horas saiu a coluna geral em direção a Leiria e um quarto de hora depois aparecia do R.1. 14 que se lhe foi juntar no percurso. Com os cerca de 300 militares seguiam 40 viaturas, material de artilharia (bocas de fogo) e berliets “Tramagal”. O código desta operação era “November”. Juntavam-se à operação militares de Aveiro e Viseu. Esta coluna militar tinha como itinerário Leiria, Caldas da Rainha e Peniche.
No dia 27 de Abril, à tarde, a manifestação, que percorreu as principais ruas da cidade, já com a Figueira plenamente consciente da mudança de regime, concentrou-se no pátio da escola da D. Maria Correia, na Rua Manuel Fernandes Coelho, onde Cação Biscaia tinha o seu espaço de trabalho e uma frase exposta que dizia: “Cidadão, Mais um Esforço”.
A sede da União Nacional (onde estão atualmente os serviços de urbanismo da autarquia figueirense) foi “entregue” a João Russo, que ainda verificou alguns papéis destruídos, queimados, com nomes e fichas de perseguidos.
A primeira sede do Partido Comunista Português, na Figueira, foi num primeiro andar (com águas furtadas e quintal) na Rua da República, por cima da então “Primorosa”. O prédio era pertença do arquiteto Viegas do Nascimento, administrador dos Estaleiros Navais do Mondego, pessoa aberta, frontal e de fácil relacionamento com os trabalhadores e por isso ainda hoje lembrada por sindicalistas da época, como frisou Joaquim Monteiro. José Freitas, António Menano e o próprio Joaquim Monteiro falaram com Viegas do Nascimento, que “até não queria dinheiro pela renda”, para que o PCP tivesse uma sede própria. A conhecida ocupação da sede acaba por se verificar apenas por dois anos, já que em 1978 a situação é prontamente regularizada com um contrato de arrendamento e o pagamento, com penalização, do período em questão.
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| =Primeiro '1º de Maio' livre. À esquerda Jorge Dias= |
(Texto de António Jorge Lé / 2018 – Fotos de Jorge Dias)
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=Outro historial publicado no jornal Expresso em 25de Abril de 2018 e onde se fala na Figueira da Foz intitulado: “O papelinho com códigos secretos do 25 de Abril” =VER AQUI=
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